O Cruzeiro no Rio Douro

 

O Cruzeiro no Rio Douro

 

 

CRUZEIRO NO RIO DOURO

 

 

 

O Douro vem de longe. Furioso, abriu caminho desde os montes Cantábricos, em Espanha, até à cidade do Porto. Pelo caminho deixou desníveis agrestes e paisagens das mais belas da Europa. Pelo Douro começaram a viajar os barcos "rabelos" e com eles as viagens de barco pelo Douro fora, transportando o famoso Vinho do Porto. Porém, estes barcos acabaram nos anos cinquenta. Mas quem nos impede de recordar as viagens no Douro, de imaginar o ranger das madeiras dos rabelos que aqui já muito viajaram rio acima e rio abaixo?

Foi o que a ARINCM proporcionou. O sol faltou à partida dos participantes do grupo de associados da ARINCM, a maior parte deslocou-se de Lisboa, para participar no cruzeiro no rio Douro, organizado pela Associação que se efectuou no dia 8 de Setembro de 2010.

No barco Douro Azul, de grande capacidade, dois pisos, para além dos nossos associados, iam outros grupos excursionistas, e os inevitáveis turistas estrangeiros. Zarpámos da marina de Gaia por volta das 9 horas. Lentamente o barco foi passando junto à Ribeira, onde as velhas pedras recordam momentos memoráveis da história, como seja a tragédia da ponte das barcas que evitou a tomada da cidade pelos franceses, por isso se intitula o Porto de cidade Invicta. Apreciando as casas multicolores pela escarpa encimada com a Sé Catedral e o Palácio Episcopal, no centro histórico da cidade, considerado Património da Humanidade. O barco passou por baixo das cinco pontes, duas da autoria de Eiffel: a D. Luis, hoje utilizada no tabuleiro superior pelo Metro e no inferior para trânsito rodoviário, a seguir a D. Maria, ferroviária, desactivada e parece estar destinada a ser pedonal. Depois as três mais recentes: a do Infante, rodoviária, a de S. João, ferroviária, hoje a única a ser utilizada para o efeito e a ponte do Freixo, igualmente rodoviária.

É sempre interessante observar estas pontes numa perspectiva diferente. A seguir avistou-se o belo Palácio do Freixo, hoje renovado e transformado em Pousada, antecedendo uma marina muito agradável e bastante utilizada. Do lado de Gaia avista-se a praia fluvial do Areeinho, muito frequentada pelas gentes ribeirinhas onde, apesar de vigiada, é raro ano em que não haja afogamentos.

O Douro Azul deslizava naquelas, outrora por vezes bastante turbulentas águas, agora amansadas pela construção das várias barragens ao longo do seu percurso. Para se galgar estes monstros de betão, existem eclusas, a primeira que passámos foi a de Crestuma-Lever e depois, a maior e mais antiga a do Carrapatelo. As travessias destas eclusas é sempre um momento curioso e de grande agitação, principalmente para quem nunca teve essa experiência.

Por informação, via altifalante, foi noticiado o almoço que apesar de bem confeccionado pecava por ser bastante frugal, talvez para evitar enjoos. O barco passou pela zona de Castelo de Paiva, agora com novas pontes, depois do trágico acidente, quem não se recorda, quando a ponte que unia as duas margens, caiu, levando consigo vários veículos, um deles uma camioneta cheia de pessoas, morrendo a totalidade dos passageiros.

Depois já no Douro vinhateiro, no fantástico cenário da região que é Património da Humanidade, avistam-se terras de Baião, Caldas de Aregos, Resende, a conhecida ponte da Pala, a Casa do Douro e por fim a Régua, destino final deste cruzeiro. Desembarcados os colegas da ARINCM, o barco seguiu o seu destino para o Pinhão, e dirigimo-nos para a estação de caminho de ferro para apanhar um comboio especial com destino a Porto - S.Bento, onde esperava a camioneta que os levaria de retorno a Lisboa .

Depois de um dia bem passado ficou o desejo de voltar e completar a viagem até ao Pinhão talvez a zona do Douro vinhateiro mais típica e merecedora de uma visita, este poderá ser um novo desafio a propor pela Associação.

 

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