25 de Abril 1974/2010

 

O 36.º 25 DE ABRIL

  

   A REPÚBLICA REENCONTRA OS SEUS CIDADÃOS

   OS PRIMEIROS ALVORES DO 25 DE ABRIL DE 1974   

   

O problema fundamental que incomodava as Forças Armadas era a constatação profunda de que os objectivos propostos pelo poder político eram inatingíveis e intemporais, e um exército com esses parâmetros acaba por se convencer de que isso conduz, a curto prazo ou a médio prazo, a uma derrota militar. No caso português, o peso do desastre não iria cair nas costas dos governantes, porque as ditaduras não prestam contas perante a opinião pública. Além disso, o que havia ocorrido com o Estado Português da Índia e o destino trágico de Vassalo e Silva, o seu governador no momento da invasão indiana de Dezembro de 1961, estavam omnipresentes nas mentes e nas discussões dos militares. Comprovou-se que o problema não era apenas corporativo quando, apesar da revogação dos decretos, a 12 de Outubro, a contestação prosseguiu até conseguir eleger em Óbidos e na Costa da Caparica respectivamente a 1 e 5 de Dezembro, a cúpula de generais que deveria ocupar o poder em substituição de Caetano e a direcção do MOCAP que seria encarregada de derrubar a ditadura.

 

O “rumor das espadas “ estendeu-se até 1974. No dia 1 de Janeiro de 1974, os ex-milicianos entregaram um documento com 108 assinaturas ao general Spínola, no qual se comprometiam e solidarizavam com qualquer posição que tomasse. Poucos dias depois, esse general publicou Portugal e o Futuro, uma obra pouco original, já que se baseou fundamentalmente em dois relatórios confidenciais que tinha enviado a Caetano (em Outubro e em Maio de 1972, respectivamente). No primeiro, defendia o federalismo para as colónias e, no segundo, a necessidade de negociar com o adversário, uma vez que a vitória militar era inevitável. Apontava também a necessidade de democratizar o País, o que era um torpedo na linha de navegação da ditadura. Os sectores que seguiam incondicionalmente o general Spínola ficaram muito afectados com a sua demissão e com a de Costa Gomes da cúpula militar, o que os levou a preparar o golpe de Estado de 16 de Março: O regime neutralizou-o com muitas dificuldades e ficou sem forças para deter o ataque final que se produziria no mês seguinte.

 

O golpe de Estado do 25 de Abril acabou numa revolução, porque, contrariamente ao que havia previsto o MFA, as massas silenciosas e silenciadas decidiram exercer o seu direito a decidir o futuro de Portugal. A República encontrou, finalmente, os seus cidadãos, e as Forças Armadas reencontraram-se com o seu povo, o que de forma romântica se chamou Aliança Povo - MFA.  

   

Texto extraído do Catálogo Resistência - Da Alternativa Republicana À Luta Contra a Ditadura (1891-1974).
A República reencontra os seus cidadãos: As oposições, da Guerra Colonial ao 25 de Abril de 1974.

  

de Josep Sánchez Cervelló

  

Tradução de Sara Ponte

    

Impressão e Acabamento INCM Janeiro de 2010

                                                                                                   

                                                                      Conteúdos ARINCM, 21 de Abril 2010

Sem comentários:

Enviar um comentário